Na noite do dia 19 de abril, assisti à dois programas do canal Discovery Home & Health que me fizeram questionar uma série de pontos importantes sobre Design. O Primeiro deles é o "Design Divino" e o segundo é o “Esquadrão da Moda”.
O programa “Design Divino” mostra a designer profissional Candice Olson e sua equipe transformando espaços comuns em ambientes revigorados e contemporâneos (pelo menos essa é a descrição do programa pelo canal).
No episódio que acompanhei, Candice estava reformando o interior de um escritório de Advogados. Para tal, trocou várias mobílias de lugar, trocou materiais, tecidos, etc., colocou uma série de cortinas nas janelas, acrescentou novas luminárias, melhorando o sistema de iluminação, e assim por diante...
No final, o novo ambiente foi descrito como muito mais sofisticado, elegante e confortável. Então me perguntei: Mas porque ele está mais sofisticado, elegante e confortável ? O que é um ambiente elegante ? Seria um lugar onde se vê que foi gasto um respeitável investimento na decoração? Quero deixar essas questões em aberto, pois agora farei uma ligação com o segundo programa, o tal “Esquadrão da Moda”, para então tentar concluir alguma coisa e abrir um espaço de discussão sobre o assunto.
O programa “Esquadrão da Moda” mostra os “novos gurus da moda” Stacy London e Clinton Kelly em sua missão de transformar patinhas feias em elegantes cisnes (descrição do canal sobre o programa). Na verdade, eles pegam uma moça, criticam arduamente todas as roupas que ela tem no guarda-roupa, chamando de antiquada, ultrapassada, patético, horroroso e por ai vai, também criticam o corte de cabelo, a maquiagem (enfim, o visual todo da coitada). Então eles explicam vários erros cometidos pela moça, mostram modelos de roupas que eles aprovam e no final a pessoa está com outras roupas, outro corte de cabelo, outro visual, dito por eles muito mais bonito e elegante.
No episódio em que assisti, a vítima foi uma moça de uns 27 anos, dona de um canal de televisão a cabo, que pouco se preocupava com as roupas que vestia. Acordava atrasada, se arrumava em meia hora e saia, comprava várias roupas em lojas de 1,99 e por ai vai. Ela possuía um estilo largado, que incomodava muito Stacy e Clinton. No final ela estava usando roupas mais caras, mudou o corte de cabelo, enfim, não parecia mais a mesma moça largada de antes.
Com o fim do programa logo veio um desconforto com relação as coisas que tinha ouvido e visto. Senti-me bombardeado por uma ideologia que queria mostrar como é se vestir bem, como é ser elegante, como é a beleza, a felicidade que isso traz, etc. Acho que a troca das roupas que a moça usava para ir trabalhar pode ter sido positiva, pois querendo ou não ela tem que mostrar certo prestígio para melhores relações com funcionários e melhor visão dos investidores e clientes sobre ela. É aquela boa e velha “máscara” que colocamos, escondendo o que realmente somos e mostrando somente o que queremos que as pessoas vejam e no caso dos negócios isso pode ser bastante útil, ainda mais no modelo de como as coisas funcionam em nossa sociedade.
E foi ai que me veio um pensamento de como design age na sociedade. Existe uma maneira de se vestir determinada por algo ou alguém que faz com que a sociedade veja tal roupa como a de alguém importante ou até mesmo “elegante”. E o instrumento dessa imposição de pensamento é o Design. E isso também vale para o design de interiores, que diz se esse material ou aquele é ultrapassado, ou sofisticado, simplesmente seguindo as tais”tendências da moda”. Achei interessante a forma como o design age nesse caso. Fez-me lembrar algumas conversas que já tive ou ouvi sobre afirmações como “os publicitários tem que enganar os consumidores e fazer com que a pessoa precise comprar o produto para realizar sua vida”. Partindo disso alguém talvez possa dizer: O design é o responsável por fazer com que esse produto seja “necessário na vida de uma pessoa” ou “o design belo nada mais é do que algo imposto por alguém como algo belo e a sociedade acaba consumindo essa idéia ”. Com relação a crítica as roupas largadas, achei um absurdo, pois essas mostravam muito mais sobre a moça. não respeitaram nem um pouco a personalidade e ideologia da mulher, e a transformaram em uma “boneca” da última moda. Acredito muito que o jeito que uma pessoa se veste e se arruma (seu cabelo e acessórios) mostra muito sobre quem ela é, sobre como pensa, como age e como sente. Se ela não é vaidosa na maneira de se vestir, ela não tem obrigação de mostrar o contrário. Sinceramente achava a moça mais bela e interessante antes da transformação.
A relação que faço com os dois programas é que ambos falam sobre o design “elegante, divino, sofisticado, belo,etc.”Mas que como disse antes, me parece algo imposto por uma tendência (vinda não sei de onde) em dizer as pessoas que isso é bonito e aquilo é feio. Isto devemos usar e aquilo não devemos usar. Por isso chego a conclusão de que a estética em design é algo um tanto questionável e que portanto a real contribuição do design está no aumento de funcionalidade dos objetos, pois isso sim da pra dizer na prática que melhora a vida das pessoas.
Observações finais:
Toquei em assuntos bastante delicados, sei que algumas partes podem ter ficado confusas e talvez com explicação ruim pois sinceramente não escrevo muito bem. Estou escrevendo esse artigo pois quero compartilhar com interessados as questões abordadas, para podermos desenvolver melhor nosso pensamento e evoluir em nossa pesquisa sobre o Que é design hoje e seus desdobramentos. E agora, gostaria que criticassem minhas idéias e opiniões, deixando seus comentários.
2 comentários:
24 de abril de 2008 às 11:30
Em primeiro lugar é bom ver o pessoal do grupo engajado. Parabéns pelo artigo.
Agora vamos à minha análise.
Seu artigo realmente tocou num ponto interessante, quero deixar duas observações:
1 - O lado estético é questionável tanto quanto a funcionalidade, ou o conceito, disso se alimenta o design. Se não houver questionamentos nada será concluído muito menos haveria projeto. Isso se aproxima daquilo que falei no artigo sobre análise, e é daí que "deveriam" surgir as tais tendências.
2 - Você citou essa questão das tendências em hora mais que oportuna, acho que seria muito bom nos reunirmos pra discutirmos mídia, design e tendências, afinal essa questão tem de certa forma influênciado muitíssimo em diversos projetos de certa magnitude que vemos hoje.
Novamente parabéns e até a aula, onde certamente discutiremos melhor sobre tendências e quem sabe elaboramos um artigo/resposta.
Abraços.
28 de abril de 2008 às 18:27
Design Divino confesso que nunca assisti..Agora Esquadrão da Moda hehehe na boa,eles realmente mudam a mulher,mas na minha humilde opinião as roupas por lá são meio estranhas rs,pelo menos pra mim.É um ou outro conjunto que realmente valorizam a pessoa.Mas por um lado,ver pelo lado do design,da moda,o que você veste influencia muito no meio que você vive,emprego e tal.Imagina uma empresa multinacional e você ir todo malvestido,cabelo malpenteado...Ninguém vai te olhar com bons olhos né.E pelo lado pessoal,se a pessoa está ali ela concorda com as mudanças,ninguém aparece naquele programa se não quiser.Mas uma coisa que eu acho realmente absurdo são eles "meterem o pau" na roupa,nossa eles xingam mesmo dá até dó.É uma imposição absurda,até mesmo pq a beleza da roupa é algo relativo tanto que pra eles lá as roupas que eles escolhem é a coisa mais linda do mundo,e pra mim não é.
É um assunto delicado mesmo,tem vários lados...Seria legal eu ler outras opiniões sobre isso! =)
Um beijo!
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