A frase "O amanhã já chegou" combina tão bem com comerciais e campanhas publicitárias vinculados à produtos e serviços "tecnologicamente avançados", que nem sempre observamos que há nela certa veracidade implícita (ou explícita, isso depende do ponto de vista de quem analisa, algo que falaremos a seguir).
Vamos pular toda a conversa sobre revolução industrial e aproveitar o clichê apresentado para direcionar nossa atenção para um ponto que servirá de bússola mesmo para o mais leigo dos desavisados que se aventurarem a ler este artigo: A sociedade atual, pós-moderna ou contemporânea, se articula de uma forma cada vez mais rápida, inconsistente. Essa será a tônica de nosso discurso: relações inconsistentes e "personalidades coletivas" cada vez menos sólidas.
Hoje é comum deixarmos de prestar atenção no que há à nossa volta, mas grande parte daquilo que vemos, utilizamos e modificamos foi "pensado" por alguém. Toda a informação que consumimos é antes de mais nada, fruto de algum projeto que envolve planos, profissionais e, é claro, decisões.
Quando dizemos que tudo há nossa volta foi pensado e projetado é óbvio que fazemos uma referência à profissão em questão: O Design. Pense no Designer como um profissional que constantemente toma decisões, observa o mundo em busca de informações, decodifica informações em busca de resultados e obviamente gera opiniões sobre fatos e objetos que estejam sob o espectro de sua profissão que sem dúvida é uma das mais abrangentes que podemos encontrar hoje.
Como profissional o designer tem por obrigação observar as variáveis que compõem o ambiente de produção para só então conceber o que muitas vezes chamamos de conceito.
Não há como criar algo sem antes ANALISAR a problemática apresentada, logo, todo designer tem de saber analisar e decodificar informações. Essa Análise será essencial, pois partindo da premissa de que o design busca facilitar o cotidiano criando soluções que unam estética e funcionalidade num determinado conceito, este deverá estar apto a definir o que será bom ou não, o que será viável ou não e o que será legítimo socialmente falando.
"Soluções criadas para um simples contexto sem planejamento e análise tendem a ser efêmeras e de pouca aceitação, o designer pode e deve buscar sustentação para aquilo que cria, do contrário o conceito apresentado será naturalmente rejeitado pelo público"
Até aqui seguimos uma linha de raciocínio simples, baseando-se apenas na definição do design e do designer como profissional em relação ao seu meio de atuação, porém, chegou o momento de observar o designer de uma ótica um pouco diferenciada e não tão comum: Como um crítico que além de exercer o design como profissão, terá de AVALIAR a efetividade de tudo aquilo que já dissemos, e não só em seus próprios projetos. O designer que não estiver habituado e observar e entender o mundo à sua volta, que não souber criticar seus próprios trabalhos, sem dúvida estará fadado a uma carreira sem grandes feitos, sua personalidade não poderá se firmar.
A crítica aqui descrita não se refere ao simples ato de falar bem ou mal para se impor como "aquele que entende", mais do que isso, a crítica deve ser um canal de desenvolvimento, avaliação e reafirmação daquilo que é produzido.
Na prática do design muitos fatores serão importantes e alguns só descobriremos depois de um longo período de investigação, mas apesar do caráter inicial dessa pesquisa já é possível afirmar que além das características abordadas nos parágrafos anteriores, qualquer designer deve ter acima de tudo um bom repertório, do contrário corremos o risco de ver imitações se multiplicando, e isso sem citar os trabalhos medíocres e sem o mínimo de sustentação. O repertório irá se estabelecer naturalmente se o designer atentar para o desenvolvimento das características que já foram abordadas aqui, além de outras é claro.
O design, visto como exercício contínuo exige uma atenção reforçada, pois mesmo que se apresente uma solução para uma determinada problemática, esta deverá ser posta à prova, daí entendemos a abrangência dessa profissão. Não basta fazer algo e aguardar para ver se essa solução será bem a aceita, e por outro lado é impossível querer prever o que acontecerá no futuro, é preciso planejar, observar, analisar e avaliar situações, objetos, idéia e até mesmo pessoas.
Autor: Robson Santos
Revisão: Leonardo Sang
Referência: DWD2 - Luli Radfahrer
1 comentários:
10 de abril de 2008 às 19:00
Robson,
parabéns por este texto. Vejo que a equipe não tem medo de escrever o que é ótimo sinal: idéias próprias, dúvidas próprias, disposição para arriscar.
abraço, Mauro Claro
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